4 de dezembro de 2011

Lua de Júpiter é forte candidata à vida


 
Ilustração mostra os bolsões de água em Europa; ao fundo, Júpiter
 
 
Desde que cientistas descobriram que Europa, a mais famosa das luas de Júpiter, possui um oceano por baixo de sua crosta de gelo, o astro é apontado como um dos únicos candidatos para a existência de vida fora da Terra no Sistema Solar.
Agora, em um trabalho recém-publicado na revista científica Nature, pesquisadores mostram evidências de que o oceano salgado da lua troca material com a camada de gelo. Essa relação aumenta as chances da existência de vida, pois indica um mecanismo de transferência de nutrientes e energia.
Os dados utilizados pela equipe de Britney Schmidt, da Universidade do Texas, foram coletados pela Galileo, nave lançada pelo ônibus especial Atlantis em 1989. Uma de suas descobertas mais significativas foi justamente a de que existe um oceano salgado abaixo da cobertura gelada de Europa, e que este contém mais água liquida do que todos os oceanos da Terra. Por estar longe do Sol, no entanto, sua superfície é completamente gelada – e este era o principal problema para a existência de vida.
Se a cobertura for muito espessa, a superfície pode não se comunicar com a água do oceano, o que diminui a troca de matérias e nutrientes e, consequentemente, diminui também as chances de existência de vida. No entanto, os dados da Galileu sugerem que existem bolsões de água líquida mais próximos da superfície que só poderiam ter se formado se houvesse uma intensa troca entre essas regiões.
As implicações dessa possibilidade são muito grandes e incluem desde maiores chances de existência de vida em Europa até a colonização humana da lua. Por enquanto, a própria Nasa afirma que é preciso ter cautela e obter novas análises. Ainda assim, a agência estuda uma missão para perfurar a camada de gelo do satélite de Júpiter.

Fonte: Abril

Chimpanzés podem deixar de ser cobaias



A semelhança dos chimpanzés com os humanos os torna importantes para pesquisas, mas também gera muita solidariedade. Para os pesquisadores, esses animais podem significar a melhor chance de descobrir a cura de doenças atrozes. Para muitas pessoas, porém, eles são nossos parentes atrás das grades.
A pesquisa biomédica com chimpanzés ajudou a produzir a vacina contra a hepatite B e tem por objetivo produzir a vacina contra a hepatite C, que infecta 170 milhões de pessoas em todo o mundo. Contudo, há muito que os protestos contra essa pesquisa consideram-na cruel e desnecessária. Devido à grande pressão atual de organizações de defesa dos animais, a decisão judicial que porá um fim a este tipo de pesquisa nos Estados Unidos pode vir em um ano. Atualmente, apenas os Estados Unidos e outro país conduzem pesquisas invasivas com chimpanzés. O outro país é o Gabão, que fica na África central.
Segundo Wayne Pacelle, presidente e diretor executivo da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos, "este é um momento bastante diferente dos outros". "É o momento de tirar os chimpanzés da pesquisa invasiva e dos laboratórios", afirma.
John VandeBerg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa sobre os primatas do sudoeste, concorda que este é "um momento crucial". O centro é um dos seis laboratórios do país onde há chimpanzés. As diversas tentativas dos opositores "podem levar ao fim de toda a pesquisa médica com os chimpanzés", afirmou.
A sociedade e outros grupos pressionaram os NIH (Institutos Nacionais da Saúde) americanos para que fosse elaborado um relatório sobre a utilidade da pesquisa com chimpanzés, aguardado para este ano. A Sociedade Humanitária também se uniu ao Instituto Jane Goodall e à Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem para elaborar uma petição ao Serviço de Fauna e Peixes dos Estados Unidos, na qual é declarado o risco de extinção dos chimpanzés em cativeiro, uma vez que os que vivem na natureza já estão ameaçados, oferecendo a eles mais proteção. A decisão é aguardada para setembro do ano que vêm.
Além disso, o Great Ape Protection and Cost Savings Act (Lei pela proteção e redução de custos com grandes símios) irá proibir o uso de todos os grandes símios nas pesquisas invasivas (incluindo bonobos, gorilas e orangotangos). O republicano Roscoe Bartlett, deputado pelo estado de Maryland, é um dos apoiadores da lei. Segundo Bartlett, a lei representará uma economia de US$ 30 milhões para o contribuinte, quantia que é gasta anualmente com os chimpanzés de propriedade do governo.
Segundo Pacelle, é alto o custo da pesquisa invasiva com chimpanzés, sendo que existem alternativas. Além disso, os procedimentos realizados são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento, afirma.
"Esta espécie está ameaçada de extinção e é a mais próxima dos humanos geneticamente", afirma. "Além disso, não devemos abusar de nosso poder", afirma.
VandeBerg, em contrapartida, afirma que suspender as pesquisas com chimpanzés representaria uma ameaça a vidas humanas.
"A redução do índice de desenvolvimento de medicamentos para essas doenças significará a morte de centenas de milhares de pessoas, milhões de fato, devido a anos de atraso", afirmou.
Se a pesquisa permite salvar vidas humanas, afirmou VandeBerg, "seria totalmente antiético não realizá-la", afirmou VandeBerg.
Os laboratórios de pesquisa dos Estados Unidos abrigam mil chimpanzés, e o Centro de Pesquisas de New Iberia é um deles. O centro pertence à Universidade de Louisiana em Lafayette, e ocupa 40 hectares do centro da Louisiana francesa ou acadiana, aproximadamente 210 quilômetros a oeste de Nova Orleans. Nele vivem 360 chimpanzés, sendo que 240 pertencem à universidade e 120 ao NIH, além de outros seis mil primatas, a maioria da espécie macaco-rhesus. A instituição foi acusada de maus-tratos no passado, sendo que foram descobertas e corrigidas algumas violações às normas de tratamento dos animais, de acordo com as inspeções do Departamento de Agricultura. Na última inspeção, ocorrida em julho, foram descobertos medicamentos para os animais com prazos de validade vencidos.
Em uma visita recente, verificou-se que alguns chimpanzés ficavam em cúpulas geodésicas de 10 metros de diâmetro e outros em jaulas menores ao ar livre. Além destes, o doutor Thomas J. Rowell, diretor do centro, contou que um número inferior a dez estava sob estudo ativo, em jaulas internas medindo 1,5 por 1,8 metro e 2,0 metros de altura. Os procedimentos práticos envolviam aplicação de injeções, retirada de amostras de sangue e biópsias hepáticas, as quais eram realizadas sob efeito de anestésicos.
Muitos estudos têm duração de apenas alguns dias, afirmou Rowell, mas alguns demoram mais tempo. Quase concluído, um estudo vinha sendo realizado há quatro meses. Rowell defendeu com entusiasmo o tratamento proporcionado aos chimpanzés no centro, enfatizando os cuidados veterinários e o empenho em melhorar a forma como vivem, tornando os ambientes do alojamento mais interessantes.
Os chimpanzés são utilizados em pesquisas nos Estados Unidos desde a década de 1920, quando Robert Yerkes, professor de psicologia da Universidade de Yale, começou a leva-los para o país. Durante a década de 1950, a força aérea passou a reproduzi-los para o uso no programa espacial, a partir de 65 espécimes capturados na natureza. Os chimpanzés também foram procriados para serem usados em pesquisas da AIDS nos anos 1980, que não obtiveram avanços. Em meados da década de 1970, o apoio à preservação de espécies ameaçadas de extinção havia aumentado, e a importação de chimpanzés retirados da natureza foi proibida. Nos anos 2000, foi aprovada uma lei federal exigindo a aposentadoria dos chimpanzés pertencentes ao governo após o fim de seu uso em experimentos. Foi inaugurado em Shreveport, na Louisiana, o Chimp Haven, um santuário nacional de chimpanzés, para dar assistência a esses a outros chimpanzés.
A tentativa de trazer de volta para a linha de pesquisa os chimpanzés semiaposentados do santuário Alamogordo Primate Facility, no Novo México, foi o que induziu em parte o recente aumento da oposição às pesquisas. O NIH queria transferir cerca de 200 de seus chimpanzés do Alamogordo para o centro de San Antonio, que pertence ao Instituto de Pesquisas Biomédicas do Texas. A Sociedade Humanitária intercedeu para evitar a transferência e o NIH cedeu, pedindo a realização de um relatório dos chimpanzés utilizados em experiências este ano ao Instituto de Medicina, um conselho consultivo.
O Chimp Haven é o potencial destino dos chimpanzés aposentados e possui atualmente 132 deles vivendo em um bosque de pinheiros de 80 hectares. Eles ficam alojados em uma variedade de jaulas e recintos cercados, incluindo um pátio de recreação a céu aberto, com 4 mil metros quadrados e envolto em muros de concreto, além de dois habitats de floresta, um de 16 e outro de 20 mil metros quadrados, delimitados por um fosso e por cercas. Porém, os chimpanzés que estão nos centros de pesquisa, talvez nem saiam dali, mesmo após o fim dos experimentos. É possível que apenas fiquem ali, livres dos estudos invasivos.
Seja qual for a decisão, os pesquisadores e defensores dos chimpanzés sabem que eles representam uma pequena parte do total da pesquisa realizada com animais e do debate mais amplo.
Segundo Kathleen Conlee, diretora sênior para questões de pesquisa animal da Sociedade Humanitária, a atual discussão em relação aos chimpanzés indica o caminho para o futuro.
"Este tipo de análise rigorosa deveria ser aplicada a toda a pesquisa com animais", afirmou.

Fonte: Abril

Grupo diz ter criado sólido mais leve do mundo


 
A estrutura vazada do material é um dos segredos para a baixa densidade


Pesquisadores desenvolveram o sólido mais leve do mundo, um material com densidade de 0,9 miligramas por centímetro cúbico.
Apesar de leve, a liga de níquel e fósforo é forte e absorve energia muito bem, podendo retornar a seu formato original se comprimido a até 50% de seu volume.
Por causa dessas propriedades, a descoberta poderia ser usada em uma série de aplicações, desde eletrodos de baterias até escudos protetores.
O segredo está na estrutura do chamado micro-lattice: tubos ocos ligados por nódulos que criam estruturas tridimensionais na forma de asterisco. O espaço entre os tubos é oco, e 99,99% da estrutura é um volume aberto.
A hierarquia das dimensões com que a estrutura foi criada ajuda na absorção de impactos: os tubos possuem paredes de menos de 100 nanômetros de espessura (ou 1000 vezes mais finos que um fio de cabelo humano); o diâmetro é um pouco maior, em escala de microns; o comprimento é milimétrico e a estrutura, como um todo, tem centímetros.
A pesquisa, desenvolvida nos Estados Unidos pelo California Institute of Technology, pelos Laboratórios HRL e pela Universidade da Califórnia foi publicada hoje na Science.

Fonte: Abril

Pesquisador da USP usa milho para criar plástico


 
Professor usou glicose do cereal para obter polímero; descoberta rendeu o prêmio Thomas Alva Edison 2011


Um novo polímero, desenvolvido a partir de derivados do milho por um pesquisador brasileiro em parceria com cientistas dos Estados Unidos, pode substituir em resinas epóxi o bisfenol A, composto também utilizado em policarbonatos que gera produtos plásticos, como garrafas e mamadeiras, e que está sendo banido em diversos países, incluindo o Brasil.
A invenção rendeu ao professor Luiz Henrique Catalani, do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP), e aos outros três autores da descoberta o prêmio Thomas Alva Edison Award 2011. Concedido pelo Conselho de Pesquisa e Desenvolvimento de New Jersey, nos Estados Unidos, o prêmio foi entregue em 10 de novembro a 40 inventores e 13 empresas.
Em 2004, durante um pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Nova Jersey (NJIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, Catalani se integrou a um grupo de cientistas da instituição, liderada por Michael Jaffe. Na época, os pesquisadores se dedicavam a um projeto, apoiado pelo Iowa Corn Promotion Board (ICPB), com o objetivo de agregar valor a produtos do milho.
Uma das possibilidades levantadas foi desenvolver produtos baseados em um composto derivado da glicose do milho, chamado isosorbídeo. Com base nessa substância, os cientistas deram origem a um novo polímero para compor resinas tipo epóxi, que são utilizadas em larga escala em plásticos rígidos, como placas de computador, embalagens e revestimentos.
“Esse novo polímero é importante tanto pelo fato de ser proveniente de insumos da biomassa – e, portanto, uma alternativa aos derivados de petróleo – como também por substituir o bisfenol A em resinas epóxi”, disse à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, o composto que está sendo proibido em diversos países – por ser um mimetizador de estrógenos (hormônios), entre outros efeitos – é utilizado em diversos produtos como um agente plastificante. Já em resinas epóxi a substância é a base (monômero) do polímero.

“Estamos propondo uma nova estrutura molecular correspondente ao bisfenol A para substituí-lo em resinas epóxi, que é o isosorbídeo”, disse. O novo polímero resultou em uma patente, registrada por Catalani e pelos outros três pesquisadores autores da descoberta: Anthony East, Michael Jaffe e Yi Zang, do NJIT.

Já produzido em escala comercial a partir do milho, o isosorbídeo também poderia ser obtido a partir de outras matérias-primas, como a cana-de-açúcar. “Certamente, a cana-de-açúcar seria uma alternativa para obter esse produto, porque dela se obtém glicose em grande quantidade”, explicou.
O trabalho realizado em parceria com a equipe do NJIT se integra aos desenvolvidos por Catalani no IQ da USP, voltados para a produção de poliésteres biodegradáveis e bioabsorvíveis para aplicações como biomateriais para uso em engenharia biomédica.
O pesquisador pretende utilizar o novo polímero derivado do isosorbídeo para desenvolver um suporte ao crescimento de diversos tipos de células, que representa o primeiro passo para se tentar produzir tecidos artificiais, como tecido ósseo ou para reconstituição de tímpano.
Em um projeto realizado com apoio da FAPESP, Catalani e equipe no IQ-USP desenvolveram estruturas chamadas hidrogéis.
Formados por redes de polímeros, essas estruturas que absorvem água em grandes quantidades podem atuar como “curativos inteligentes”, realizando a liberação controlada de fármacos, como antibacterianos e antifúngicos.
“Já temos três patentes depositadas no Brasil na área de hidrogéis. Mas não temos um produto final porque ainda não fechamos com nenhuma empresa interessada em produzi-lo”, disse.


Fonte: Abril

Nasa analisa tempestade gigante de Saturno


 
A tempestade gigante, no hemisfério norte do planeta


Quase 200 dias. Esse foi o tempo que durou a última grande tempestade de Saturno.
Com início em 5 de dezembro de 2010, ela surgiu como um pequeno ponto na atmosfera do planeta e atingiu 15 mil km de extensão norte-sul, cobrindo uma área de 5 bilhões de km2.
A maior tempestade dos últimos 20 anos de Saturno produziu, em seu pico, mais de 10 raios por segundo. A descarga era tanta que, no ano passado, assim que as câmeras da nave Cassini, da Nasa, avistaram a tempestade, os instrumentos de radio e plasma captaram sua atividade elétrica.
Agora que o período de 200 dias de atividade de encerrou, a Nasa divulgou novas imagens e um filme mostrando o nascimento e a evolução da tempestade gigante.  Segundo os pesquisadores, o evento é mais comparável a um vulcão: a pressão se acumula por anos antes que algo aconteça. O que ninguém sabe ainda é por que essa pressão se acumula, já que, diferentemente de um vulcão, não existe rocha na atmosfera de Saturno para mantê-la confinada.
Estas e outras perguntas podem tentar ser respondidas agora que a nave Cassini teve sua missão estendida até 2017.

Fonte: Abril

Ciência tenta desvendar campo magnético da Lua



Quando os astronautas da missão Apollo 11, de 1969, retornaram à Terra com cerca de vinte e dois quilos de rochas e solo lunar, cientistas surpreenderam-se ao descobrir que algumas das amostras eram magnetizadas. A lua não tem um campo magnético, portanto deve ter tido algum passado magnético desconhecido.
Alguns cientistas pensavam que esse passado limitava-se a ondas de magnetismo de um dia de duração, criadas por impactos de asteroides, mas, em 2009, uma análise revelou rochas lunares tão fracamente magnetizadas que só poderiam ter se formado resfriando-se lentamente sob a influência de força magnética constante. Em algum momento, portanto, a Lua deve ter tido um campo magnético semelhante ao da Terra.
Mas como isso é possível? "Se a Terra tivesse o tamanho da Lua", diz Christina Dwyer, uma cientista planetária da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, "ela não teria um campo magnético". As diferenças de temperatura interna não seriam suficientemente grandes para perturbar seu núcleo líquido externo e mover o dínamo magnético".
Dois novos estudos, ambos publicados na revista Nature, sugerem o que pode ter acontecido: se o manto da Lua girasse contra o seu núcleo exterior (que estava e ainda pode estar liquefeito), ele agitaria o núcleo externo, assim como uma colher no café quando se muda abruptamente do sentido horário para o anti-horário.
Uma teoria do que teria causado as rotações opostas, apresentada pela equipe de Dwyer, é que a forte maré gravitacional da Terra sobre uma Lua mais jovem e mais próxima criou um momento de força do manto lunar contra o núcleo. A outra teoria, sugerida por Michael Le Bars, do Instituto de Pesquisa de Fenômenos de Não Equilíbrio em Marselha, na França, e outros pesquisadores, é que colisões intermitentes de asteroides podem ter feito, em alguma época, o manto girar como uma bola de basquete durante dez mil anos.

Fonte: Abril

1 milhão de brasileiros terão câncer em 2 anos



Nos próximos dois anos, 1 milhão de brasileiros receberão o diagnóstico de câncer. Os homens sofrerão, principalmente, dos tumores de próstata, traqueia, brônquio, pulmão, cólon e reto. Já as mulheres serão afetadas pelos os cânceres de mama, colo de útero, cólon e reto.
Os dados fazem parte da publicação Estimativa 2012 - Incidência de Câncer no Brasil, divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca).
Esses números excluem o câncer de pele não melanoma, que é o mais comum, mas de baixa letalidade. Dos cem tipos de câncer conhecidos, a publicação lista 18, responsáveis por 85% dos 518.510 casos estimados para cada ano. Dos casos novos, 49,2% atingirão mulheres e 50,8%, homens. O câncer infantil, pacientes com até 19 anos, responde por 3% dos casos - o equivalente a 15.555 registros anuais.
"O câncer é a segunda causa de morte no País, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Em 2009, matou 172 mil pessoas. Ao fazer essa estimativa, com detalhamento por Estado, o INCA contribui para organizar as ações de saúde", afirma Cláudio Noronha, coordenador-geral de Ações Estratégicas do INCA.
Para preparar a estimativa, foram revisados 30 milhões de prontuários médicos de hospitais públicos e particulares, laboratórios de anatomia e patologia dos últimos cinco anos. A publicação do INCA inclui sete novas localizações de tumores: bexiga, ovário, tireoide, Sistema Nervoso Central, colo do útero laringe (nos homens) e linfoma não Hodgkin.
Apesar de o número de fumantes ter sido reduzido à metade nos últimos 20 anos no País, o tabagismo ainda é a causa de 95% dos casos de câncer de laringe, como o desenvolvido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A fumaça de cachimbos e cigarros têm 60 substâncias com poder carcinogênico comprovado", explica Fernando Dias, chefe do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Inca.
O tumor de tireoide aparece em quarto lugar nas causas de câncer entre as mulheres. A responsável pelo Serviço de Endocrinologia do INCA, Rossana Corbo Ramalho de Melo, ressalta que fatores como maior contato com substâncias químicas, a ingestão de anticoncepcionais (o câncer de tireoide tem receptor de estrogênio) e maior consumo de iodo favorecem o aparecimento desse tipo de tumor.
Diferenças - A publicação do Inca ressalta diferenças regionais. No Sul, por exemplo, o câncer de traqueia, brônquio e pulmão aparece como a terceira causa entre mulheres, população em que o tabagismo é mais forte. A vida sexual precoce e a maior dificuldade de acesso de serviço de saúde explica o fato de o câncer de colo do útero assumir a liderança das causas de tumor entre as mulheres da região Norte.

Fonte: Abril